A descoberta

Oi!

De volta ao Brasil, à vida real, depois de duas semanas inesquecíveis nos EUA, era hora de correr atrás da papelada para dar entrada no processo de solicitação da minha medicação ao SUS. Seria necessário refazer alguns exames, um deles para avaliar o hormônio HCG no meu sangue (BHCG).

Cheguei de viagem na quinta-feira, e no sábado realizei os exames. No domingo tive uma dor de dente quase insuportável, o que me obrigou a ir ao dentista no dia seguinte. Era um dos dentes do siso me matando. O dentista e eu decidimos extrair todos, mas antes eu precisava fazer uma radiografia. Na terça-feira, dia do exame, eu estava atenta ao fato de que a minha menstruação estava atrasada desde o sábado. Avisei a técnica, aumentando os dias de atraso, e ela sugeriu que eu usasse um colete de chumbo por precaução. Certamente o meu instinto materno àquela altura estava aflorado.

Pela primeira vez em meses, o fato da minha menstruação estar atrasada não me deixou ansiosa, afinal eu sabia que provavelmente demoraria para eu engravidar.

Toda quinta-feira à noite eu tomava o Dostinex, meu remédio. Naquela quinta eu acordei e fui trabalhar decidida a fazer um teste de gravidez antes de me medicar, por via das dúvidas. O dia passou e antes de voltar para casa passei na farmácia e comprei o teste (outrora eu já havia esgotado o estoque que havia feito). Em casa, por volta das 18:30h, não pensei duas vezes e “mijei no palito”! Pouco tempo depois duas listras estavam visíveis! Surpresa, eu saia do banheiro e voltava achando que a bendita listra sumiria, mas ela continuava lá. Emocionada, liguei para o endocrinologista, mas ele não pode me atender. As 20h o médico me ligou e, tão feliz e satisfeito quanto eu, disse para eu suspender a medicação. O Edu chegaria em casa depois das 22h, e até lá eu precisava me conter para não gritar para o mundo que o meu maior presente estava a caminho.

A segunda pessoa que soube da minha gravidez foi a minha psicóloga; precisei conversar com ela, pois havia um turbilhão de sentimentos (bons) tomando conta de mim e parecia que eu estava prestes a explodir. Os minutos não passavam, a hora “H” não chegava. Enfim o Edu chegou. Esperei um pouco e contei a novidade para ele. Jamais esquecerei a palavra que saiu da boca dele: F***! Imediatamente ele pensou no quanto teria que trabalhar dobrado, em se mudar do apartamento de apenas um quarto… Mas tão depressa quanto ele falou e pensou aquelas coisas, um sorriso de orelha a orelha preencheu o seu rosto. Nos abraçamos, choramos e rimos juntos.

“Sóbrios”, decidimos refazer o teste, e voltamos à farmácia. Novamente as duas listras apareceram! Mais algum tempo passou antes que nos lembrássemos do exame de sangue que eu havia feito no sábado. Acessamos o resultado pela internet, e lá estava, gravidíssima!

O processo de solicitação da minha medicação ao SUS e a extração dos dentes foram cancelados.

Pensando bem, durante a nossa viagem aos EUA, ambos ficamos emotivos demais, e eu lembrei de dois sintomas anormais que tive, vontade de fazer xixi constantemente e tontura, mas não sei se estavam relacionados à gravidez. Pelo menos, quem vomitou foi ele, não eu!

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